o que importam
minhas desproporções
os desejos e as ilusões
de que matéria são feitas as perguntas
de que importam
as perguntas
e as múltiplas respostas
perdidas no tempo
perguntas e respostas
são como vento
posso senti-las
por um momento
- ou dois
mas não posso segurá-las
com minhas mãos
humanas e falhas
(porém as únicas que possuo,
e por elas sou grata)
de que importam
as mãos, as falhas e a gratidão
me pergunto
enquanto meus olhos
- também humanos e falhos
tentam abarcar o mar
tentam descobrir onde ele termina,
se é que termina,
apesar da desimportância da pergunta,
apesar da miopia.
sexta-feira, 24 de julho de 2009
quinta-feira, 16 de julho de 2009
II
dentro de mim é névoa
escura, úmida, densa e cega
dentro de mim é nada
cinza pesado negro mistério
fora de mim é o mundo
dentro de mim universo
no vazio enxergo
tateando meus invernos partidos no chão
dentro de mim é chão
sem nenhum teto
dentro de mim é chuva
não alaga nem cessa
dentro de mim é gotejar sem fim
dentro de mim é tortura
milenar e eficaz
dentro de mim
não sou capaz
de ser
senão névoa
escura, úmida, densa e cega.
escura, úmida, densa e cega
dentro de mim é nada
cinza pesado negro mistério
fora de mim é o mundo
dentro de mim universo
no vazio enxergo
tateando meus invernos partidos no chão
dentro de mim é chão
sem nenhum teto
dentro de mim é chuva
não alaga nem cessa
dentro de mim é gotejar sem fim
dentro de mim é tortura
milenar e eficaz
dentro de mim
não sou capaz
de ser
senão névoa
escura, úmida, densa e cega.
domingo, 5 de julho de 2009
Talvez algum dia as pessoas entendam que Deus não está no céu, mas dentro de cada um de nós.
Talvez algum dia possamos viver nossas diferenças em harmonia, porque ninguém é igual a ninguém.
Talvez a ciência consiga enxergar que nem tudo tem uma explicação racional, que algumas coisas simplesmente acontecem, que o universo é indiferente ao que pensamos a respeito dele.
Talvez possamos perceber que dentro de cada cabeça pensante existe um mundo fabuloso repleto de infinitas possibilidades e que somos nós quem decidimos como torná-lo útil e como usufruir de seus super poderes.
Talvez possa aceitar que existem realidades desconhecidas e que nem tudo que consideramos mentira realmente é, que nem toda verdade consegue ser absoluta.
Talvez possamos nos unir por amor e não por medo ou obrigação.
Talvez relute em aceitar que tudo que acontece em sua vida seja um mero reflexo de suas atitudes.
Talvez entenda que existe uma grande diferença entre olhar para o mundo e VER o mundo.
Talvez consiga aceitar que existe, sem precisar saber o
porque.
Tente considerar que algumas pessoas estão tão apegadas ao sofrimento que enxergam uma salvação em qualquer palavra de amor.
Que qualquer palavra de amor pode ajudar alguém que está em desespero desde que contenha o sentimento sincero.
Que nossos olhos não conseguem decodificar todas as mensagens existentes na natureza.
Que seguir sua intuição muitas vezes é mais eficiente
do que mover-se pela razão.
Que não temos certeza absoluta de como as pessoas nos enxergam, mas que podemos encontrar satisfação em nós mesmos, desde que permitamos ser o que nos coloque em contato com nossa natureza plena, sem culpa nem sofrimento, buscando sempre aceitar a felicidade.
Todos temos escuridão e luz, som e silêncio, paz e conflitos, harmonia e desordem, sabendo dosar esses elementos, encontrando conforto quando a solidão se faz presente.
E desatando os nós que nos aprisionam a certos padrões de repetição, talvez possamos ter mais sabedoria para discutirmos o que nos incomoda nos outros.
Talvez tudo seja uma grande ilusão.
Talvez não.
O que pode ser dado como definitivo está fadado a se tornar
obsoleto.
A vida é a vida e ninguém tem certeza de nada.
Por isso talvez possamos viver nossas vidas e aceitar
que existem muitas formas de se fazer isso.
Cada um escolhe a sua.
Talvez algum dia possamos viver nossas diferenças em harmonia, porque ninguém é igual a ninguém.
Talvez a ciência consiga enxergar que nem tudo tem uma explicação racional, que algumas coisas simplesmente acontecem, que o universo é indiferente ao que pensamos a respeito dele.
Talvez possamos perceber que dentro de cada cabeça pensante existe um mundo fabuloso repleto de infinitas possibilidades e que somos nós quem decidimos como torná-lo útil e como usufruir de seus super poderes.
Talvez possa aceitar que existem realidades desconhecidas e que nem tudo que consideramos mentira realmente é, que nem toda verdade consegue ser absoluta.
Talvez possamos nos unir por amor e não por medo ou obrigação.
Talvez relute em aceitar que tudo que acontece em sua vida seja um mero reflexo de suas atitudes.
Talvez entenda que existe uma grande diferença entre olhar para o mundo e VER o mundo.
Talvez consiga aceitar que existe, sem precisar saber o
porque.
Tente considerar que algumas pessoas estão tão apegadas ao sofrimento que enxergam uma salvação em qualquer palavra de amor.
Que qualquer palavra de amor pode ajudar alguém que está em desespero desde que contenha o sentimento sincero.
Que nossos olhos não conseguem decodificar todas as mensagens existentes na natureza.
Que seguir sua intuição muitas vezes é mais eficiente
do que mover-se pela razão.
Que não temos certeza absoluta de como as pessoas nos enxergam, mas que podemos encontrar satisfação em nós mesmos, desde que permitamos ser o que nos coloque em contato com nossa natureza plena, sem culpa nem sofrimento, buscando sempre aceitar a felicidade.
Todos temos escuridão e luz, som e silêncio, paz e conflitos, harmonia e desordem, sabendo dosar esses elementos, encontrando conforto quando a solidão se faz presente.
E desatando os nós que nos aprisionam a certos padrões de repetição, talvez possamos ter mais sabedoria para discutirmos o que nos incomoda nos outros.
Talvez tudo seja uma grande ilusão.
Talvez não.
O que pode ser dado como definitivo está fadado a se tornar
obsoleto.
A vida é a vida e ninguém tem certeza de nada.
Por isso talvez possamos viver nossas vidas e aceitar
que existem muitas formas de se fazer isso.
Cada um escolhe a sua.
terça-feira, 9 de junho de 2009
sexta-feira, 8 de maio de 2009
domingo, 1 de março de 2009
Às vezes te odeio por quase um segundo

-mas é claro que eu te amo... - dizia isso exalando o hálito sempre fresco, mesmo logo depois de acordar, que ela amava tanto.
- então porque vai? - perguntou quase num sussurro, quase que pra si mesma. - podia ficar, você sabe. podíamos só ficar aqui... e fingir que nada do mundo lá fora é mesmo real. mas não completou a fala com esse pensamento. ela sabia que, por mais que pudesse viver apenas daquele amor, se nutrir dele, morrer naquela cama e naqueles lençóis... ele não pensava assim.
- você sabe, eu tenho que ir.
- porque?... isso tudo é tão errado. - agora ela tentava ignorar as partículas de mar que teimosamente se equilibravam na sua bochecha, enquanto olhava pro teto, deitada ao lado dele na cama de solteiro.
- porque... porque quando se tem medo de algo e se faz mesmo assim... bem, então isso é coragem.
ele acendeu outro cigarro e foi pra janela.
ela nunca tinha realmente reparado no quanto ele parecia com um gato.
como se tivesse lido seu pensamento, ele se espreguiçou desajeitadamente, olhou pra ela e deu um dos seus sorrisos dúbios.
ela não entendia nada sobre coragem, ou sobre os motivos dele.
ela só entendia de amor.
e agora entendia também de morte.
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