Ele com seus lindos olhos castanhos chegou de mansinho e invadiu meu corpo, alma e coração. Me fez ver que mãos dadas ao pôr do sol é magico, que madrugada com lua cheia e bem acompanhada pode ser a coisa mais deliciosa que uma moça pode querer.
Ele com seu sorriso brilhante, suas mãos quentinhas e abraço apertado despertaram toda a ternura que estava guardada. Fez-se novo o que já julgava velho, gasto, inútil. Transformou um coração empoeirado em algo pulsante, vibrante, barulhento. Os batimentos do coração já cansado de ilusões transformaram-se em um motor potente, capaz de aguentar dias e dias a fio de emoções bem do seu ladinho.
Ah, você...
Seu jeito de me colocar no colo, afagar meus cabelos, me contar as histórias mais fascinantes.
Seu jeito de me ouvir, de sorrir largo e despudorado. Seu jeito de despir meus pensamentos, de me fazer cantarolar em uma segunda-feira.
Seu jeito de me olhar nos olhos e dizer que tudo ficará bem, de fazer a alma transbordar candura, fazer do pranto o riso largo, fácil, puro.
Seu jeito de me fazer sentir em você um porto seguro, um cais, um lugar novinho pra voltar.
sábado, 24 de outubro de 2009
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
V
te amo tanto
que cada amanhecer
é um novo encanto
lírio puro e santo
que planto por querer
te amo tanto
que farei um acalento
com beijos de doce espanto
pra te adormecer
te amo tanto
que com meus ventos
tecerei um manto
pra enxugar teu pranto
e não te ver sofrer
te amo tanto
que se um dia
eu te perder
na dor do desencanto
silenciarei meu canto
e não saberei mais viver.
que cada amanhecer
é um novo encanto
lírio puro e santo
que planto por querer
te amo tanto
que farei um acalento
com beijos de doce espanto
pra te adormecer
te amo tanto
que com meus ventos
tecerei um manto
pra enxugar teu pranto
e não te ver sofrer
te amo tanto
que se um dia
eu te perder
na dor do desencanto
silenciarei meu canto
e não saberei mais viver.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Flores que fazem sonhar
Lá vai um homem levando
Lindas flores da estação
Vai louco de primavera
Vai todo mordido de cão
Nada pode lhe parar
Senhor do seu coração
Nem a espada do conde
Nem polícia, nem ladrão
Lá vai um homem levando
Flores com obstinação
Todo ferido de espinho
Dos jardins sem compaixão
Não por soberba ou loucura
Ou qualquer outra intenção
Quase tudo lhe tomaram
Menos a sua paixão
Um homem levando flores
Com tanta delicadeza
Que os casais infelizes
Se tocam embaixo da mesa
Flores que passam e deixam
Um doce perfume no ar
Begônias, rosas, crisântenos
Lá vai, não pode parar
Lá vai um homem levando
As flores sem permissão
De condomínios tristonhos
Casas com ar de prisão
Vence o apito do guarda
Ignora os senadores
Lá vai um homem levando
Com cuidado suas flores
A que festa se dirige
Que túmulo vai visitar
Que sentimento sustenta
O seu firme caminhar?
Um homem levando flores
Vai de costas para o mundo
A quem elas se destinam
Existe amor tão profundo?
Pouco importa, ninguém sabe
Mas não se pode negar
Lá vai um homem levando
Flores que fazem sonhar.
Lindas flores da estação
Vai louco de primavera
Vai todo mordido de cão
Nada pode lhe parar
Senhor do seu coração
Nem a espada do conde
Nem polícia, nem ladrão
Lá vai um homem levando
Flores com obstinação
Todo ferido de espinho
Dos jardins sem compaixão
Não por soberba ou loucura
Ou qualquer outra intenção
Quase tudo lhe tomaram
Menos a sua paixão
Um homem levando flores
Com tanta delicadeza
Que os casais infelizes
Se tocam embaixo da mesa
Flores que passam e deixam
Um doce perfume no ar
Begônias, rosas, crisântenos
Lá vai, não pode parar
Lá vai um homem levando
As flores sem permissão
De condomínios tristonhos
Casas com ar de prisão
Vence o apito do guarda
Ignora os senadores
Lá vai um homem levando
Com cuidado suas flores
A que festa se dirige
Que túmulo vai visitar
Que sentimento sustenta
O seu firme caminhar?
Um homem levando flores
Vai de costas para o mundo
A quem elas se destinam
Existe amor tão profundo?
Pouco importa, ninguém sabe
Mas não se pode negar
Lá vai um homem levando
Flores que fazem sonhar.
quarta-feira, 19 de agosto de 2009

- sabe a garota do copo de água?
- sei.
- ela parece distante, talvez seja porque está pensando em alguém.
- em alguém do quadro?
- não, um garoto com quem cruzou em algum lugar, e sentiu que eram parecidos.
- em outros termos, prefere imaginar uma relação com alguém ausente que criar laços com os que estão presentes.
- ao contrário, talvez tente arrumar a bagunça da vida dos outros.
- e ela? e a bagunça na vida dela? quem vai pôr ordem?
*O Fabuloso Destino de Amélie Poulain*
terça-feira, 28 de julho de 2009
Forme
palavras
sem
sentido
e
algum
sentido
será
formado
por
quem
não
sabe
que
as
palavras
sem
sentido
às
vezes
são
só
palavras
e
os
sentidos
estão
em
quem
as
lê.
Forme
sentimentos
com
palavras
e
note
que
as
palavras
às
vezes
não
conseguem
representar
seus
reais
sentimentos
sentidos.
Sinta
os
sentimentos
sem
sentido
e
forme
palavras
para
entregar
a
quem
te
faz
sentir
o
sentido
do
sentimento
que
a
palavra
oferece.
Palavras
sem
sentido
só
serão
palavras
e
nada
mais
quando
quem
as
escreve
não
estiver
sentindo.
Então
porque
buscar
sentidos
quando
o
sentido
está
no
seu
coração?
Sinta-se
e
será
capaz
de
sentir
o mundo
sem
palavras.
Onde
o
silêncio
representará
tudo
que
não
pode
ser
escrito
nem
ditado
nem
falado.
palavras
sem
sentido
e
algum
sentido
será
formado
por
quem
não
sabe
que
as
palavras
sem
sentido
às
vezes
são
só
palavras
e
os
sentidos
estão
em
quem
as
lê.
Forme
sentimentos
com
palavras
e
note
que
as
palavras
às
vezes
não
conseguem
representar
seus
reais
sentimentos
sentidos.
Sinta
os
sentimentos
sem
sentido
e
forme
palavras
para
entregar
a
quem
te
faz
sentir
o
sentido
do
sentimento
que
a
palavra
oferece.
Palavras
sem
sentido
só
serão
palavras
e
nada
mais
quando
quem
as
escreve
não
estiver
sentindo.
Então
porque
buscar
sentidos
quando
o
sentido
está
no
seu
coração?
Sinta-se
e
será
capaz
de
sentir
o mundo
sem
palavras.
Onde
o
silêncio
representará
tudo
que
não
pode
ser
escrito
nem
ditado
nem
falado.
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Que é que eu sei de amor?
eu sei que é unanimidade hoje em dia dizer: eu tomo meu café preto e amargo, puro e sem açúcar.
unanimidade entre pretensos artistas neuróticos. ou só neuróticos, porque que porra é ser artista, eu me pergunto.
mas sabe. a vida de preta e amarga já tem demais.
- papo de bar.
eu sei. mas assim mesmo: meu café é entupido de açúcar. fica depois aquela crosta marrom no fundo da caneca, você passa o dedo e lambe.
mas só faço isso hoje, ontem o açúcar que eu lambia vinha da sua pele.
- não começa com isso.
mas é que eu não consigo.
te liguei à noite, sei que isso me era proibido nas regras não-escritas porém supra-conhecidas do orgulho, mas olha:
que é que eu sei de amor?
é tudo tão novo e tão velho.
não sei nada.
e olha que eu leio pra caralho, sabe?
- eu sei.
tantas vezes deixei você esperando, enquanto terminava só mais um capítulo.
será que foi isso?
mas eu trocaria, sabe.
devolvo meu bukowski em troca da sua língua na minha de novo: pode?
- claro que não pode.
assim não vale, não funciona.
e pra que porra alguém vai querer um bukowski?
mas olha que merda de injustiça essa:
quer dizer que não se pode arrepender e consertar.
- como você conserta algo se não sabe onde quebrou?
tudo é uma questão de manter
(a mente aberta, a espinha ereta e o coração tranquilo)
opa. isso era outra coisa.
oficialmente vou parar com a maconha.
e oficialmente vou parar de você.
é um vício fodido esse, sabe.
quase uma auto-mutilação: arrancar você de mim.
- peraí, isso é clichê.
cansei de arranjar culpados em tudo,
a culpa é do mordomo,
me assassinaram com o castiçal na sala de música
ou eu assassinei?
fomos assassinados, meu bem,
e algo me diz que mancha de sangue no tapete é foda de tirar.
mas eu ainda espero, sabe?
- eu sei.
e olha:
que é que eu sei de amor?
é tudo tão novo e tão velho.
quero só fingir que não há sangue nem café amargo pelo mundo.
só mais um capítulo ou dois de nós. pode?
olha só pra mim.
mas olha só que merda.
tudo isso é por você, sabe?
sabe nada.
você não sabe é de porra nenhuma.
unanimidade entre pretensos artistas neuróticos. ou só neuróticos, porque que porra é ser artista, eu me pergunto.
mas sabe. a vida de preta e amarga já tem demais.
- papo de bar.
eu sei. mas assim mesmo: meu café é entupido de açúcar. fica depois aquela crosta marrom no fundo da caneca, você passa o dedo e lambe.
mas só faço isso hoje, ontem o açúcar que eu lambia vinha da sua pele.
- não começa com isso.
mas é que eu não consigo.
te liguei à noite, sei que isso me era proibido nas regras não-escritas porém supra-conhecidas do orgulho, mas olha:
que é que eu sei de amor?
é tudo tão novo e tão velho.
não sei nada.
e olha que eu leio pra caralho, sabe?
- eu sei.
tantas vezes deixei você esperando, enquanto terminava só mais um capítulo.
será que foi isso?
mas eu trocaria, sabe.
devolvo meu bukowski em troca da sua língua na minha de novo: pode?
- claro que não pode.
assim não vale, não funciona.
e pra que porra alguém vai querer um bukowski?
mas olha que merda de injustiça essa:
quer dizer que não se pode arrepender e consertar.
- como você conserta algo se não sabe onde quebrou?
tudo é uma questão de manter
(a mente aberta, a espinha ereta e o coração tranquilo)
opa. isso era outra coisa.
oficialmente vou parar com a maconha.
e oficialmente vou parar de você.
é um vício fodido esse, sabe.
quase uma auto-mutilação: arrancar você de mim.
- peraí, isso é clichê.
cansei de arranjar culpados em tudo,
a culpa é do mordomo,
me assassinaram com o castiçal na sala de música
ou eu assassinei?
fomos assassinados, meu bem,
e algo me diz que mancha de sangue no tapete é foda de tirar.
mas eu ainda espero, sabe?
- eu sei.
e olha:
que é que eu sei de amor?
é tudo tão novo e tão velho.
quero só fingir que não há sangue nem café amargo pelo mundo.
só mais um capítulo ou dois de nós. pode?
olha só pra mim.
mas olha só que merda.
tudo isso é por você, sabe?
sabe nada.
você não sabe é de porra nenhuma.
IV
insisto
agarro o imprevisto
invisto
na beleza do não-dito
evito
a certeza do finito.
insisto
nas cores do imprevisto
evito a certeza
nada é finito.
insisto
contra a correnteza
as marés
não vão me dominar
a lua
serve só
pra iluminar.
quem manda
nessa porra
sou
eu.
agarro o imprevisto
invisto
na beleza do não-dito
evito
a certeza do finito.
insisto
nas cores do imprevisto
evito a certeza
nada é finito.
insisto
contra a correnteza
as marés
não vão me dominar
a lua
serve só
pra iluminar.
quem manda
nessa porra
sou
eu.
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